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A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL SUBSTITUIRÁ OS GESTORES?

Artigo de Ray Williams, publicado originalmente no Blog da ICF em 02/02/2017 e traduzido por Ana Augusta Monteiro com autorização do autor. 

Muito tem sido dito sobre como a inteligência artificial (AI) irá substituir muitos empregos, tanto no nível técnico como nos níveis gerenciais. Poderia a inteligência artificial também substituir os gestores sêniores chegando até os vice-presidentes e presidentes?

A inteligência artificial e a "robotização", exercem uma degradação lenta, mas contínua sobre o valor e a disponibilidade de trabalho, com impactos nos salários e no número de trabalhadores com empregos de tempo integral. O desaparecimento generalizado de postos de trabalho traria uma transformação social diferente de tudo que nós já experimentamos ou imaginamos antes. A questão não será apenas salvar empregos, mas também como cuidar ou reformular o conceito de trabalho.

Em 2013, pesquisadores da Universidade de Oxford C.B. Frey e M.A. Osborne criaram um modelo que calcula a probabilidade de substituição de um trabalhador num determinado setor. Eles concluíram que as máquinas podem substituir mais de 47 por cento dos trabalhadores ativos num futuro próximo.

Em uma pesquisa do Pew Research Center de Washington nos Estados Unidos com 1.896 proeminentes cientistas, analistas e engenheiros, sobre o futuro dos empregos, 48 por cento dos entrevistados apontou a revolução da inteligência artificial como uma devoradora permanente de empregos em larga escala. E o banco da Inglaterra, fez um alerta de que, nas próximas décadas, até 80 milhões de empregos nos EUA poderão ser substituídos por robôs.

Nos próximos anos, todos: de médicos, advogados e cientistas até jornalistas, profissionais de marketing e motoristas de caminhão estarão trabalhando ao lado de tecnologias cognitivas. Computadores estão se tornando cada vez mais eficientes na tomada de decisões, executando ações complexas e realizando “trabalhos de conhecimento”, que podemos aqui definir como a produção de valor pelo processamento da informação, em oposição ao esforço físico. Então ao invés de tentar encontrar os nichos de trabalho que não serão afetados pelas máquinas, considere com o que você pode colaborar em parceria com elas.

Que capacidade humana continuará a ser essencial para se fazer o trabalho?

COMO A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL APRESENTA DESAFIOS PARA A GESTÃO TRADICIONAL

A inteligência artificial apresenta desafios significativos para executivos e gerentes, forçando-os a reconsiderar e redefinir seus próprios papéis. Com o aumento da colaboração entre os funcionários humanos e as máquinas, tudo, desde a divisão do trabalho, treinamento, gerenciamento de performance e desenvolvimento de talentos terá que mudar.  Dado o valor que as organizações estão cada vez mais colocando na experimentação e colaboração, a inteligência criativa e social irá, sem dúvida, crescer em importância, na medida que a inteligência artificial assumirá mais responsabilidades baseadas em regras.

Um estudo da Accenture argumenta que a próxima geração de gerentes terá as máquinas inteligentes como colegas. E se o julgamento é uma habilidade distintamente humana, máquinas inteligentes podem acelerar o aprendizado humano, auxiliando com simulações orientadas a dados, construções de cenários e atividades de pesquisa e inovação. A próxima geração de gerentes precisará de elevada inteligência social para colaborar efetivamente em equipes e redes — provocando e reunindo diversas perspectivas, ideias e experiências para apoiar o julgamento coletivo, a resolução de problemas complexos e as inovações. Futuros gestores também deverão encontrar maneiras de usar as tecnologias digitais para explorar o conhecimento e a opinião de parceiros, clientes, agentes externos e modelos de outras indústrias.

Um relatório do MIT publicado na Sloan Review faz esta declaração provocativa apontando para: "uma mudança irreversível em que, a perspectiva pais-filhos da relação da pessoa na gestão com sua equipe, será questionada e, finalmente, substituída por uma relação entre pessoas adultas." Facilmente poderíamos imaginar que "o fim da gestão" está chegando, argumentam os autores — espremida pelo feedback entre pares, empurrada pelas funções especializadas, enfraquecida por plataformas poderosas e exposta pela análise de redes sociais.

VOCÊ ACEITARIA UM ROBÔ COMO SEU CHEFE?

Ainda que as limitações tecnológicas estejam desaparecendo, as de ordem social, moral e ética permanecem. Como você pode persuadir sua equipe para confiar na inteligência artificial? Ou, aceitarem um robô como um membro da equipe ou gerente? E quando chegar a hora de substituir aquele robô, haverá sofrimento moral? Os empregados serão capazes de expressar suas questões emocionais para um gerente robô? Um estudo do laboratório de interação humano-computador da Universidade de Manitoba no Canadá, sugere que você provavelmente obedecerá a um chefe robô quase do mesmo modo como faria com um chefe humano.

Nos últimos anos, uma surpreendente série de funções gerenciais foi transferida para a inteligência artificial. Computadores estão classificando os currículos de candidatos a emprego para identificar experiências relevantes e para estimar quanto tempo um potencial empregado provavelmente permanecerá no trabalho.

Os algoritmos de inteligência artificial também estão mapeando as trocas de e-mail, chamadas telefônicas e até mesmo as interações não planejadas no corredor, para controlar o fluxo de trabalho e recomendar mudanças.

Uma série de questões práticas e éticas permanece quanto à questão de substituir gestores por robôs. As práticas, incluem o desenvolvimento de algoritmos sofisticados para lidar com 1 milhão de cenários diferentes, envolvendo o julgamento humano, já estão sendo desenvolvidas em laboratórios ao redor do mundo. A questão ética de monitoramento constante dos movimentos e ações dos empregados por robôs e programas de software continua a ser um assunto espinhoso para aqueles que fazem as políticas.

E finalmente, resta a questão de se os robôs podem ser construídos com características humanoides, incluindo as emoções para gerar confiança nos funcionários?

O QUE FARÃO OS GERENTES RESTANTES NA IDADE DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL?

Se tomamos a suposição de que a inteligência artificial tornará obsoletas muitas das tradicionais funções gerenciais intermediárias, o que sobrará? Onde a nova geração de gestores deve investir seus esforços e atenção? Eis algumas possibilidades:

1.    No curto prazo, gestão de sistemas de decisão. Isto significa que os gerentes precisarão manter-se atualizados com os avanços na análise de dados, incluindo estatísticas, aprendizado de máquina e inteligência artificial. No entanto, em algum ponto a inteligência artificial reduzirá essa necessidade.

2.    Coordenação de todas as partes interessadas, com atenção às necessidades emocionais, particularmente dos empregados. Haverá sempre uma necessidade para aqueles que podem falar em termos humanos e contar histórias sobre por que estamos fazendo as coisas que fazemos.

3.    Criação de conteúdo. Embora o jornalismo tradicional, cinema, televisão e publicidade sejam indústrias em dificuldades agora, há uma necessidade crescente de conteúdo digital de qualidade. A era dos blogueiros de notícias, estrelas do YouTube, animadores independentes, desenvolvedores de jogos de smartphone e gurus da mídia social já está acontecendo e em rápida expansão. O que está claro é que com isto estão surgindo rapidamente novas profissões.

4.    Orquestradores especiais integrados ou baseados na comunidade: em sintonia com as tendências acima, novos tipos de festivais híbridos com entretenimento, educação, comércio e interação social serão uma tendência ascendente. Festivais que combinam todos os itens acima têm explodido na última década no mundo industrializado.

5.    Gestores de novos negócios criativos e inovadores: com a crescente ênfase da sustentabilidade nos negócios, continuará a haver demanda para aqueles que podem arquitetar criativamente novos negócios e lançá-los como sistemas de trabalho. O conjunto de habilidades exigido envolve uma mistura especial e rara de sistemas de engenharia, finanças, gestão de pessoas, habilidades técnicas, marketing (especialmente em mídias sociais) e sustentabilidade.

Por fim, uma última pergunta importante: como a implementação da inteligência artificial no ambiente de trabalho afeta o trabalho dos coaches nas organizações?

  Ray Williams

Ray Williams


Ray Williams é presidente da Ray Williams Associates, uma empresa sediada em Vancouver que fornece treinamento de liderança, coaching executivo e palestras. Ray também é autor dos livros “Breaking Bad Habits and The Leadership Edge”, e co-autor do best-seller, “Ready, Aim, Influence”. Ele pode ser contatado em ray@raywilliamsassociates.com e você pode segui-lo em @raybwilliams no Twitter. Leia mais sobre como multiplicar e aumentar as demandas de atenção dos líderes, pode ter um impacto negativo sobre seu desempenho no novo livro de Ray, “Eye of the Storm: How Mindful Leaders Can Transform Chaotic Workplaces” (Os livros de Ray Williams não têm tradução para o português).

 

Este artigo foi traduzido por Ana Augusta Monteiro com autorização do autor, Ray Williams. O texto original foi publicado no Blog da ICF em 02/02/2017 e pode ser encontrado AQUI.