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16/8 - 19:00 hs - "ROI em Coaching"

com Chris Le Moine

Como Contratar um Coach?

por Rodrigo Aranha, PCC & CMC

Por diversas razões, você tomou a decisão de buscar auxílio, através de um Coach profissional, para tratar uma ou mais questões, sejam elas de caráter pessoal, profissional ou, mais frequentemente ambos, que você julga importante para seu desenvolvimento, qualquer que seja seu objetivo.

Tomada a decisão, inicia-se uma etapa de enorme importância para o sucesso da sua empreitada: quem contratar como Coach?

Sabemos que o mercado de Coaching vem crescendo de forma exponencial e, ao mesmo tempo, com muita fragmentação, fruto de uma enorme variedade de ofertas de serviços de Coaching, com abordagens e metodologias das mais diversas. O que fazer num cenário como esse?

Lembre-se que um programa de Coaching envolverá um investimento relevante tanto em termos de tempo como de dinheiro. Dessa forma, investir o tempo necessário para que sua escolha seja a melhor possível é algo absolutamente crítico e fundamental. Afinal, você quer selecionar um Coach que possa oferecer a assistência e o suporte que você precisa para seu desenvolvimento e o alcance dos seus objetivos de uma forma eficaz.

Creio que o primeiro passo, se necessário, é educar-se adequadamente a respeito de Coaching. Do que se trata afinal? Como essa prática se difere de outras de alguma forma correlatas como Terapia, Consultoria e Mentoria?

A terapia lida com a busca de cura para uma dor, disfunção e/ou conflito dentro de um indivíduo ou nos seus relacionamentos. O foco é frequentemente voltado para a resolução de dificuldades decorrentes do passado que prejudicam o funcionamento emocional de um indivíduo no presente e, com isso, alcançar melhorias no funcionamento psicológico em geral e poder lidar com o presente de maneiras mais saudáveis ​​emocionalmente. Coaching, por outro lado, apoia o crescimento pessoal e profissional com base na mudança desejada pelo coachee em busca de resultados ​​específicos, relacionados ao sucesso pessoal ou profissional. Coaching é focado no futuro. Enquanto sentimentos e emoções positivos podem ser um resultado natural do Coaching, o foco principal é a criação de estratégias viáveis ​​para alcançar metas específicas, sejam elas pessoais ou profissionais. A ênfase, portanto, em um relacionamento de coaching está na ação, no accountability e em seguir adiante.

Consultores, por sua vez, são contratados por indivíduos ou organizações visando transferência de conhecimentos ou a execução de atividades para as quais não contam com recursos disponíveis. Enquanto as abordagens de consultoria variam amplamente, o pressuposto, em geral, é que o consultor irá diagnosticar problemas e prescrever e, às vezes, implementar soluções. Com o Coaching, a suposição é de que os indivíduos ou equipes são capazes de gerar as suas próprias soluções, com o fornecimento de apoio técnico, abordagens e estruturas baseadas em ganho de consciência e descobertas.

Já um mentor é um especialista que fornece sabedoria e orientação com base em sua própria experiência. Mentoria pode incluir assessoria, aconselhamento e coaching. O processo de Coaching não inclui assessoria ou aconselhamento; ao invés disso, concentra-se em ajudar indivíduos ou grupos a alcançar seus próprios objetivos.

Existem muitas referências sérias que podem ajudar a responder a essas questões, na forma de livros e artigos sobre Coaching que vêm sendo escritos por autores renomados ao longo dos últimos anos. Uma fonte importante para pesquisa que costumo sugerir é o portal de pesquisa da ICF – International Coach Federation (www.coachfederation.org), onde estão disponíveis diversos artigos, estudos de casos e outras referências importantes.

Tendo um bom nível de entendimento a respeito de Coaching, o segundo passo é ter claro quais são seus objetivos ao trabalhar com um Coach. Isto o ajudará a direcionar seus esforços de busca e na identificação de um Coach eventualmente especializado em área correspondente aos seus objetivos. Você está buscando um Coach de Vida que o ajude a se desenvolver como pessoa e lhe dar suporte em relação a desafios pessoais? Ou você está procurando por um Coach executivo, que o ajude no desenvolvimento de competências específicas de liderança ou de gestão de times e negócios?

Uma vez tendo se educado em Coaching e tendo claro quais são seus objetivos, você está pronto para iniciar a busca de um profissional qualificado.

O primeiro passo pode ser simplesmente você verificar com amigos, colegas e os membros do seu networking de forma geral, aqueles que tiveram boas experiências com Coaching e que lhe possam indicar alguns profissionais.

Além disso, você pode recorrer aos sites de associações de classe, nos quais poderá pesquisar e identificar profissionais. Os sites da ICF – International Coach Federation lhe permitem fazer isso com facilidade: veja em www.coachfederation.org (site da ICF Global), em www.icfbrasil.org (site da ICF Brasil) ou ainda em www.icf-sp.org (site da ICF Capítulo Regional SP). É bom ressaltar que, para ser membro da ICF, é necessário contar com um mínimo de 60 horas de treinamento específico em coaching reconhecido pela entidade, bem como aderir a um rigoroso código de ética. Além disso, no caso do profissional possuir uma credencial, isso implica num volume ainda maior de horas de treinamento, além de comprovação também de um mínimo de horas de prática profissional.

De qualquer modo, o mercado brasileiro conta com uma boa oferta de coaches profissionais e consultorias especializadas em serviços de Coaching, o que, juntamente com referências e indicações que você pode obter junto à sua rede de relacionamentos, mais pesquisas em sites como os indicados acima, tornará sua tarefa de identificação de profissionais relativamente simples.

Minha recomendação é sempre considerar ao menos três profissionais no processo de seleção e tomada de decisão. A questão agora, é como fazer a sua escolha.

Independentemente de quais sejam seus objetivos, há diversas questões importantes a serem consideradas na contratação de um Coach.

Prepare-se e faça entrevistas cuidadosas com cada um desses profissionais, procurando explorar suas experiências, qualificações e habilidades. Para essas entrevistas, sugiro considerar as seguintes questões:

  • Experiência profissional em Coaching: o Coach deve ser questionado a respeito do tempo de experiência na profissão, quantas horas de Coaching já praticou, quantos e que tipos de clientes atendeu, assim como as situações e questões de Coaching trabalhadas;
  • Background profissional e experiência em geral: coaches podem vir de diversas áreas de formação profissional – exemplos incluem Recursos Humanos, Psicologia, Treinamento e Desenvolvimento e Gestão de Negócios. Evidentemente, estes variados backgrounds implicam em que os coaches irão trazer para o relacionamento de Coaching diferentes experiências e habilidades. Outro aspecto importante, particularmente em Coaching executivo, diz respeito ao nível de experiência e conhecimento que o Coach possa ter em áreas de negócios específicas. Certamente isso é algo que pode ajudar, mas não necessariamente. Ainda que o Coach possa contar com conhecimento e experiência profundos em negócios, a real contribuição de um Coach está na sua habilidade de ajudar as pessoas a aprender e a se desenvolver. Ainda no Coaching executivo, pode ser relevante a experiência que o Coach tenha em relacionamentos com determinados tipos de profissionais em termos de senioridade, isto é, C-level, alta gerência, gerência média, etc. A questão chave é, portanto, encontrar o perfil que mais se adequa às necessidades e aos propósitos do programa de Coaching que você deseja;
  • Qualificação técnica e treinamento: o Coach deve ser capaz de demonstrar que possui as competências técnicas específicas que são necessárias para prover os serviços de Coaching que estão sendo solicitados. É necessário, portanto, verificar qual é a formação específica em Coaching do profissional e os treinamentos realizados;
  • Filosofia, a abordagem e a metodologia: o Coach deve ser capaz de descrever de forma clara quais são suas filosofia, abordagem e metodologia preferenciais em Coaching. Verifique como ele ou ela trabalha, qual a frequência e a duração das sessões, quais são os métodos e modelos utilizados e porquê. Explore, também, a flexibilidade que o Coach demonstra para atender às suas necessidades específicas sem que, evidentemente, ele ou ela tenha que abrir mão das suas crenças e convicções. Um bom Coach faz uso de diversos modelos e técnicas que se apoiam em diversas bases teóricas, incluindo, por exemplo, teoria organizacional, psicologia ocupacional, desenvolvimento de lideranças, teorias de aprendizado adulto e outras. Como regra geral, quanto mais simples as técnicas e ferramentas empregadas, mais efetivas elas tendem a ser. O Coach deve fazer uso desse tipo de ferramentas por conta de propósitos específicos, isto é, visando estimular e encorajar a reflexão, o aprendizado e um processo de mudança e ele ou ela deve ser capaz de descrever essas ferramentas de forma clara e concisa durante esta etapa de seleção;
  • Histórias de sucesso: o Coach deve ser capaz de descrever de forma clara e específica, programas de Coaching que tenha conduzido, nos quais seus clientes foram bem sucedidos no alcance dos objetivos pretendidos como resultado do programa. Devem ficar claros nessas histórias quais eram as situações envolvidas, quais eram os objetivos pretendidos e o que foi determinante para o sucesso dos programas;
  • Supervisão: supervisão em Coaching significa um diálogo e interação entre o Coach e um Coach Supervisor, no qual o primeiro traz, para um diálogo reflexivo e consequente aprendizado colaborativo, suas experiências em Coaching, visando seu desenvolvimento e benefício assim como o dos seus clientes. Neste tipo de supervisão, o Coach é levado a focar no processo de Coaching e, com isso, possibilitar um melhor entendimento das suas fortalezas, das suas fragilidades e, com isso, possibilitar seu crescimento profissional. Trata-se de uma prática crescente, que visa auxiliar o Coach nos seus esforços de desenvolvimento, tanto em termos pessoais no que diz respeito ao aprofundamento da presença e da consciência de Coaching, quanto profissionalmente em termos de competências, éticas e padrões;
  • Filiação a Associações de Classe: verifique se o Coach é membro de alguma associação de coaches profissionais, como, por exemplo, a ICF – International Coach Federation. Ser membro dessas associações, via de regra, implica na adesão a códigos rigorosos de conduta e de ética que suportam a prática profissional de Coaching;
  • Credenciais: além da filiação a associações profissionais, verifique se o Coach possui credenciais fornecidas por essas associações. Uma coisa é o Coach apresentar uma certificação fornecida pela própria instituição na qual ele ou ela fez sua formação e/ou treinamento. Outra coisa é uma credencial obtida pelo profissional junto a entidades independentes de certificação em Coaching, o que assegura que o profissional tenha passado por formação e treinamento específicos em Coaching que sejam reconhecidos pela entidade certificadora por conta de determinados requisitos e padrões mínimos exigidos. Além da formação, a credencial também implica que o Coach tenha comprovado um determinado volume mínimo de horas de prática de Coaching profissional. Evidentemente, dispor de uma credencial não qualifica automaticamente um Coach, mas se trata de uma referência cada vez mais importante e relevante nesse mercado. De acordo com o 2010 ICF Global Consumer Awareness Study, conduzido pela ICF – International Coach Federation, 84% das pessoas que passaram por uma experiência de Coaching revelaram que para elas era importante que os coaches dispusessem de uma credencial;
  • Referências: além da entrevista, certifique-se de que cada profissional considerado lhe dê ao menos duas referências de pessoas com quem ele ou ela tenha atuado como Coach. Faça contato com essas pessoas e faça perguntas claras e diretas:
    • Elas conseguiram atingir seu objetivos de forma minimamente satisfatória como resultado do Coaching?
    • Do que elas gostaram e do que não gostaram ao trabalhar com o Coach em questão?
    • Elas recomendariam de forma entusiástica este profissional para seus amigos e colegas? Por que sim ou por que não?

Caso você não fique completamente satisfeito com as respostas obtidas, continue procurando.

Pesquisas apontam que o fator que contribui mais significativamente para o resultado bem sucedido de um programa de Coaching é a qualidade do relacionamento entre o Coach e o cliente. Dessa forma, é fundamental que você se assegure da existência de uma conexão relevante entre você e o profissional que você escolher. Em outras palavras, é fundamental que haja uma química entre os dois, ou, popularmente falando, “que o santo cruze”.

No caso de um processo de contratação de um Coach executivo, onde, via de regra, é a área de Recursos Humanos da empresa que faz o processo de seleção e contratação do Coach, é altamente recomendável que o coachee em questão, isto é, o executivo que será submetido ao processo de Coaching, tenha a oportunidade de entrevistar ao menos 2 profissionais previamente selecionados pela área de Recursos Humanos, justamente por conta da questão da conexão, ou empatia, que deve haver entre Coach e coachee, como aspecto fundamental para o bom andamento do programa.

Ao escolher um bom Coach, a probabilidade de você ter uma experiência altamente positiva e com elevado retorno para seu investimento é grande! De acordo com o 2010 Global Coaching Cliente Study, conduzido pela ICF – International Coach Federation, 96% das pessoas que passaram por uma experiência de Coaching indicaram que iriam repetir a experiência, dadas as mesmas circunstâncias que as levaram a procurar um Coach pela primeira vez. Esta mesma pesquisa revelou adicionalmente os seguintes resultados:

Em termos de produtividade:

  • 70% dos pesquisados revelaram melhoria no desempenho no trabalho;
  • 61% revelaram melhoria na gestão dos negócios;
  • 57% revelaram melhoria na gestão do tempo; e
  • 51% revelaram melhoria na gestão de equipes.

Em termos pessoais:

  • 80% dos pesquisados revelaram melhoria na auto-confiança;
  • 73% revelaram melhoria nas relações interpessoais;
  • 72% revelaram melhoria na habilidade de comunicação; e
  • 67% revelaram melhoria no equilíbrio entre vida e trabalho.

Em termos de retorno sobre o investimento:

  • 68% das pessoas revelaram ter obtido retorno sobre o investimento realizado;
  • 86% das empresas revelaram ter obtido retorno sobre o investimento feito.

Sem dúvidas, posso afirmar que o investimento em Coaching vale a pena, sendo fundamental para isso a escolha bem feita do profissional que irá conduzir o processo.

Boa escolha e um ótimo Coaching!