Gestão 2019 / 2020

Cândida Semensato na Presidência e Diretoria de Desenvolvimento; Marcos Camargo na Vice-Presidente e Secretário Tesoureiro; Claudio Pavanini na Diretoria de Comunicação e Marketing); Graziela Terra na Diretoria de Desenvolvimento de Mercado e em Responsabilidade Social; Mário Marrey na Diretoria de Parcerias; Sonia Arruda na Diretoria de Relacionamento com Associados

 

Coaching de Grupos: os três dilemas

Artigo de Ro Gorell publicado no blog da ICF em 14 de Outubro de 2013 e traduzido por Carol Rodriguez com revisão de Ana Augusto Monteiro.

Muitas organizações estão se tornando compradoras experientes de serviços de coaching e focam onde elas podem ter o melhor impacto pelo valor investido. Processos de coaching em grupo ou de times têm origem nessa necessidade de criar formas rentáveis de dar coaching às pessoas. O tema subjacente é sobre ajudar as pessoas a lidarem melhor com mudanças rápidas e se tornarem adaptáveis a elas, para que o negócio possa crescer, tornando-se mais eficiente e ágil. Produtividade não é mais somente algo “bom de ter”, é uma questão de sobrevivência para o negócio. Para o coach que tem praticado coaching individual por muitos anos, isso pode trazer inúmeros desafios e dilemas. Assim, para sustentar uma prática de coaching em uma economia que muda rapidamente, somente aqueles coaches que forem capazes de adaptar seu conjunto de habilidades irão sobreviver.

Três dilemas surgem quando conversamos com coaches sobre fazer uma transição de sua prática de coaching individual para coaching em grupo:

1. A dinâmica de dar coaching para as pessoas em um grupo – existe diferença?

2. Que habilidades e competências vou precisar além das minhas habilidades de coaching?

3. As minhas ferramentas atuais serão suficientes?

A Dinâmica do Coaching em Grupo

O primeiro dilema está na habilidade do coach de identificar se seu cliente está buscando por um processo de coaching de time ou de grupo. O coaching de time tipicamente envolve todos os membros da equipe – projeto, departamento ou função. Em outras palavras, os indivíduos compartilham de objetivos e tarefas comuns e, em geral, estão buscando alguém que os ajude a trabalhar melhor e de forma mais efetiva para atingir os resultados que precisam. O segundo tipo, o coaching de grupo, é um conjunto de indivíduos potencialmente não conectados uns aos outros e que estão buscando aprender em um ambiente de grupo. O foco é tipicamente, apesar de não exclusivamente, em desenvolvimento pessoal e crescimento. Ter clareza sobre qual o tipo de coaching demandado tem implicações importantes para a dinâmica:

  • Como o poder é expressado
  • Quão dispostas as pessoas estão a ouvir e aprender umas com as outras
  • Como as pessoas expressam sua necessidade por conexão
  • Como o conflito é tratado

A categoria que alguns acreditam ser a mais desafiadora é sobre o poder e como ele é expressado. Três diferentes tipos de poder prevalecem em quase toda a interação que temos com outras pessoas: situacional (ou posicional), pessoal e sistêmico. Poder situacional ou posicional pode se manifestar na deferência demonstrada a certos indivíduos no time, em função da sua posição percebida em relação aos demais, por exemplo: senioridade, graduação, tempo de casa. Poder pessoal pode se manifestar de diferentes formas, como no caso de indivíduos capazes de influenciar o grupo pelo seu conhecimento, suas habilidades interpessoais ou de comunicação. A última forma de poder é o poder sistêmico. Este poder geralmente deriva da cultura dentro da qual os indivíduos “normalmente” operam, por exemplo, as regras que definem as escolhas sobre como se comportar, particularmente quando observado por outros.

Habilidades de Coaching em um Grupo

Habilidades de coaching por si só, provavelmente, não serão suficientes para fazer uma transição.  É importante desenvolver habilidades de processos de grupos para que você se torne apto a ajudar um grupo a navegar no processo de socialização, isto é, como os comportamentos no grupo são formados e se tornam aceitos. Esse conjunto de habilidades é sobre como oferecer estrutura suficiente, criar limites e regras básicas. O elemento final que coloca tudo isso junto é a autoconfiança. É mais um estado de ser do que uma habilidade. Você somente pode trabalhar com um grupo se você está disposto a encarar sua própria vulnerabilidade e enxerga-la como um recurso para ajudar o grupo.

Ferramentas de Coaching e Chegando ao Modelo Correto

O processo é tão importante quanto as ferramentas que você usa e o modelo de Bruce Tuckman (formando, capturando, padronizando, performando e finalizando) oferece uma estrutura para criar um processo de coaching em grupo. Considere o processo para o coaching em grupo como uma ferramenta: o início, onde você explora o que quer alcançar, revisa ações anteriores e reconfirma a abordagem e o tema; o meio, onde você explora o(s) tema(s) em detalhe; e o final onde você assegura a ação, revisa aprendizados e insights e constrói próximos passos. Assim, o conteúdo do coaching irá definir quais ferramentas podem ser encaixadas. Mantenha o processo simples e esteja sempre aberto para revê-lo.

Fazendo a transição

Qualquer transição começa com acreditar em si próprio e confiança. Mantendo-se atento a energia na sala você pode utilizar todas as habilidades que você já possui e domina. Todos nós nos comportamos de forma diferente em um ambiente de grupo e trabalhar com grupos requer sabedoria em relação às forças sistêmicas que operam em um grupo. Esta é talvez a razão porque o coaching de grupo é tão atrativo para as organizações. O processo de coaching de grupo é uma boa simulação para mostrar formas de pessoas trabalharem juntas na organização buscando atingir resultados.

Ro Gorell

Ro Gorell é especialista em melhoria de desempenho e desenvolvimento de talentos, ajudando organizações a alavancar seus talentos e realizar mudanças por meio de colaboração. Ela é autora de Coaching de Grupo e co-autora de 50 Ferramentas Principais para Coaching (Kogan Page).

 

Artigo Original: < https://coachfederation.org/blog/coaching-people-in-groups-the-three-dilemmas >