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Resumo do Artigo Coaching x Terapia – Uma Perspectiva

Autores: Vicki Hart, John Blattner e Staci Leipsic

Autora do Resumo: Meiling Canizares

Em 2001 foi publicado um estudo no Consulting Psychology Journal: Practice and Research sobre as diferenças e semelhanças entre coaching e terapia. Os autores desse estudo são Vicki Hart, consultora organizacional; John Blattner, psicólogo, consultor e coach; Staci Leipsic, coach e terapeuta. Foram realizadas entrevistas com 30 profissionais situados nos Estados Unidos, com base em sete perguntas. Todos os participantes atendiam a dois requisitos:

  1. ter um grau de mestrado ou doutorado em psicologia clínica e
  2. ter atuado tanto como coach como terapeuta em algum momento de sua carreira.

Semelhanças

Os autores deste artigo apontam para várias sobreposições existentes entre coaching e terapia:

  • Baseiam-se em construtos teóricos similares
  • As relações entre o profissional e seu cliente são contínuas, confidenciais e um-para-um.
  • Os clientes procuram esses serviços com o desejo de mudança e os profissionais que oferecem esses serviços assumem que alguma mudança significativa ocorrerá ao longo do tempo.

Além disso, ambos promovem o desenvolvimento pessoal e ampliação de consciência.

Abaixo preparamos uma tabela que aponta para as principais diferenças relatadas pelos participantes deste estudo.

Diferenças

 

COACHING

TERAPIA

Questões que mobilizam para a busca do serviço

Objetivos e potencial inexplorado, para que a pessoa encontre maior realização em sua vida ou trabalho.

Questões de saúde mental; problemas enfrentados no âmbito do comportamento, das relações ou internos, que geram desconforto ou conflito psíquico.

Relação com o passado

Pode eventualmente visitar o passado, como forma de prosseguir com avanços focados nos objetivos do coaching. O foco é sempre prospectivo.

Pode haver foco retrospectivo, a fim de reparar danos decorrentes de experiências passadas. Poderá explorar o passado do cliente para entender porque ele se comporta de determinada forma.

Relação com a psicopatologia

 

O terapeuta é treinado para diagnosticar e tratar psicopatologias.

Foco das conversas

Em geral, focadas em determinados temas relacionados diretamente com os objetivos do coaching. As interações são mais estruturadas e orientadas para tarefas, frequentemente envolvendo planos de ação para atingimento de objetivos. É mais voltado para fora.

Em geral, as conversas são variadas, abrangem várias dimensões da vida do cliente (familiar, profissional, social, amorosa, etc). Além disso, o diálogo terapêutico é visto como envolvendo maior expressão de sentimentos e processamento de emoções, por isso, a profundidade das conversas tende a ser maior. É mais voltado para dentro.

Relação do profissional com o cliente

A relação é descrita como uma parceria igualitária. Há momentos em que o coach pode revelar informações sobre si mesmo para o cliente. Pode ser visto como um colaborador. É possível manter relações com o cliente em outros âmbitos.

Nesta relação, o terapeuta ocupa um status diferenciado do cliente, procurando manter distância. Pode ser visto como um curador. Relações com o cliente em outros âmbitos da vida são vetadas.

Espaço da relação

É possível que a sessão ocorra à distância (por telefone ou videoconferência). Também é possível que algumas sessões ocorram em ambientes menos formais, como cafés.

O atendimento costuma ser presencial, em ambiente privativo, concebendo-se atendimento à distância apenas em casos de emergência.

Frequência das sessões

É mais flexível, podendo ocorrer com periodicidade semanal, quinzenal, ou mensal, dependendo do contrato que se estabelece.

Rigorosamente definida. Via de regra, semanal, podendo ser mais frequente em algumas abordagens.

Contrato

O contrato no coaching parece ser mais formal do que na terapia. Em geral, é documentado por escrito. Com respeito à confidencialidade, no coaching é uma questão de estabelecer com o cliente os termos.

O contrato na terapia, em geral, é feito verbalmente. Sobre a confidencialidade, existem regulamentações profissionais que devem ser seguidas.

Artigo Original: < www.apa.org/pubs/journals/features/cpb-1061-4087-53-4-229.pdf >